Foi
anunciado no 55o Festival de Cannes o projeto de um longa dividido
em onze episódios com previsão de lançamento
mundial no dia 11 de setembro de 2002. 11'09"01 será
um filme composto de onze curtas filmados por onze cineastas internacionais,
representantes de uma ampla diversidade cultural. Uma inspiração
comum: os eventos de 11 de setembro de 2001 em Nova York, e suas
conseqüências. Uma duração simbólica:
11 minutos, 9 segundos e um fotograma (11'09"01). A idéia
original do produtor Alain Brigand (Galatée Films - Studiocanal),
em associação com Jacques Perrin e Nicolas Mauvernay,
promete liberdade artística total para cada cineasta, visando
um compromisso expresso por uma mensagem de paz e tolerância
entre os povos. Os lucros do filme serão destinados a uma
organização humanitária internacional.
Abaixo,
os onze cineastas que vão assinar o longa 11'09"01
e seus depoimentos sobre o projeto:
Ken
Loach - Reino Unido
"Os eventos de 11 de setembro de 2001 têm um significado
diferente para diferentes pessoas, significados perdidos pela
propaganda. Será um alívio ouvir outras vozes: política
é muito importante para ser deixada aos políticos."
Claude
Lelouch - França
"Apenas sonhos podem derrubar pesadelos. Esta será
minha única ambição para esse filme de 11
minutos, 9 segundos e 1 fotograma."
Danis
Tanovic - Bósnia-Herzegovina
"É como se este mundo não tivesse tempo para
parar e pensar sobre ele mesmo. De outra forma, como podemos explicar
que o terror ainda esteja presente e que apenas aqueles que já
o experimentaram pessoalmente tenham ficado petrificados, parados
no tempo e na sua própria dor?"
Sean
Penn - Estados Unidos
"Espero que eu sirva ao belo espírito dessa coletânea
de filmes com essa coletânea de cineastas extraordinários."
Shohei
Imamura - Japão
"Todos nós perdemos membros da família na Segunda
Guerra Mundial. Eu mesmo tive um irmão mais velho que morreu
no mar em Tianjin. O Japão também cometeu excessos.
O Japão experimentou a bomba atômica. O que eu desejo
descrever é o supremo estado de consciência que leva
uma pessoa a aceitar tragédias ligadas a guerras ou conflitos."
Amos
Gitaï - Israel
"Na raiz do processo de criação, há
sempre uma história pessoal que solta a faísca."
Samira
Makhmalbaf - Irã (foto)
"Eu acho interessante que onze cineastas de diferentes culturas
criem um filme com o mesmo assunto: um evento universal, sem conhecerem
uns aos outros ou se comunicarem uns com os outros. Esse trabalho
deixa que a indústria do cinema use o diálogo democrático
entre autores ao invés de impor um de mão única."
Yousset
Chahine - Egito
"Na verdade eu fui educado na Califórnia, onde aos
18, no Instituto de Arte Dramática, eu senti as primeiras
pontadas do amor. Thea
a zeladora do dormitório masculino,
foi a mulher para quem eu perdi minha virgindade. É verdade
que os meus filmes são exibidos agora, embora atrasados,
em todas as universidades americanas de prestígio. Honestamente,
quem de nós nunca foi seduzido pela elegância de
Fred Astaire ou pelas pernas de Cyd Charisse? Depois veio a injustiça,
padrão duplo e a virada inexplicável contra o inimigo
declarado. Alguém pode ressentir um amante fervoroso dos
Estados Unidos que se sente traído e enraivecido ao ver
seu sonho transgredido tantas vezes com total impunidade?"
Idrissa
Ouedraogo - Burkina Faso
"Os atentados de 11 de setembro foram vividos ao vivo por
todo o planeta, e também na África, onde populações
se associaram ao levante mundial de solidariedade. Mas a África
também está esperando o mesmo levante de solidariedade
de outros povos para lutar contra as numerosas maldições
que o continente tem que enfrentar."
Mira
Nair - Índia
"Eu queria fazer um filme sobre a realidade da vida para
nós sul-asiáticos em Nova York depois de 11 de setembro.
A vida mudou irrevogavelmente, e acho que para sempre. De Nova
York a Jenin a Gujarat, a islamofobia que dominou o mundo me incomoda
imensamente. Como cineasta, eu acho que já era tempo de
nos manifestarmos. Nosso filme é baseado na história
real da busca de uma mãe por seu filho que não voltou
para casa naquele dia fatal."
Alejandro
Inarritu - México
"Em 11 de Setembro, a realidade matou a ficção.
Eu lembro das minhas mãos tremendo incontrolavelmente enquanto
eu assistia, pela primeira vez na minha vida, 3000 pessoas morrendo
ao vivo na TV. Nós já vimos de tudo. Eu apenas espero
ser capaz de expressar algo do que eu senti naquele dia negro
e horrível para a humanidade."
DOS
LEITORES
Como
crítico de cinema profissional, diretor de filmes, e professor
de cinema, eu não acho que o 'Jornal da Mostra' seja muito
pedante. É apaixonado e tem opinião. É por
isso que eu leio, aprendo com ele, gosto dele, e peço aos
meus alunos que o leiam. Imparcialidade não existe em arte,
ou na vida. Adjetivos são a única maneira pela qual
comunicamos nossos verdadeiros sentimentos e nossa humanidade.
Não importa se eu concordo ou não com você.
Se os críticos brasileiros escrevem tão mal (maravilhosamente)
quanto Leon Cakoff, então eu deveria aprender português
e ler mais críticas de cinema brasileiras!
Muito modestamente,
Ron Norman
Los Angeles/Taiwan
(10/06/2002)
Jornal da Mostra nº 105
Leon Cakoff, para o Jornal
da Mostra
Leia
mais no Jornal da Mostra >>
CANNES 2002
PEACE AND TOLERANCE ACCORDING TO ELEVEN FILMMAKERS AT THE SEPTEMBER
11'S FIRST ANNIVERSARY
I
was announced at the 55th Cannes Festival the project of a feature
film divided in eleven episodes, programmed to be released on
September 11, 2002. 11'09"01 is a movie composed
of 11 short films shot by international film makers, representative
of a large cultural diversity. One common inspiration: the events
of September 11th 2001 in New York, and their aftermath. A symbolic
length: 11 minutes, 9 seconds and one frame (11'09"01).
The original idea by the producer Alain Brigand (Galatée
Films - Studiocanal), in association with Jacques Perrin and
Nicolas Mauvernay grants total artistic liberty to each filmmaker,
aiming a commitment expressed in a message of peace and tolerance
between populations. A retrocession of the film's benefits to
an international humanitarian welfare organization.
Below,
the eleven filmmakers that will sign the feature 11'09"01
and their testimonies on the project:
Ken
Loach - United Kingdom
"The events of September 11th, 2001, have a different
significance for different people, meanings lost beneath
the propaganda. It will be a relief to hear other voices:
politics is too important to be left to politicians."
Claude
Lelouch - France
"Only dreams can strike down nightmares. That will
be my sole ambition for this movie of 11 minutes 9 seconds
1 frame."
Danis
Tanovic - Bosnia-Herzegovina
"As if this world had no time to stop and think about
itself. Otherwise, how can we explain that terror is still
present and that only those who have personally experienced
it have been frozen to a standstill, set in time and in
their own grief?"
Sean
Penn - United States
"I hope I will do service to the beautiful spirit of
this collection of films with this collection of extraordinary
filmmakers."
Shohei
Imamura - Japan
"We have all lost family members in World War II. I
myself had an elder brother who died at sea in Tianjin.
Japan too, has committed exactions. Japan has experienced
the atomic bomb. What I wish to describe is the supreme
state of awakening that lets a person accept tragedies linked
to war or conflicts."
Amos
Gitaï - Israel
"At the very root of the creation process, there is
always a personal story that sets off the spark."
Samira
Makhmalbaf - Iran (photo)
"I find it interesting that 11 filmmakers form different
cultures create a movie on the same subject: a universal
event, without knowing each other or communicating with
each other. This work lets the movie industry use democratic
dialogue between authors instead of imposing a one-way one."
Yousset
Chahine - Egypt
"I was truly educated in California, where at 18, at
the dramatic Art Institute, I felt the first pangs of love.
Thea
the boy's dorm manageress, was the woman I lost
my virginity to. It's true that my films are now shown,
albeit late, in all prestigious American universities. Honestly,
which one of us never been seduced by Fred Astaire's elegance
or by Cyd Charisse's legs? Then came injustice, double standard
and the inexplicable shift against the declared enemy. Can
one resent a fervent lover of the USA who feels cheated
and angered at watching his dream transgressed again and
again with total impunity?"
Idrissa
Ouedraogo - Burkina Faso
"The attacks of September 11th were experienced live
throughout the planet, as well as in Africa, where populations
associated themselves to the worldwide surge of solidarity.
But Africa is also waiting for the same surge of solidarity
from other populations in order to fight the numerous curses
the continent has to face."
Mira
Nair - India
"I wanted to make a film about the reality of life
for us South Asians in New York City after Sept. 11th. Life
has changed irrevocably, and I think, forever. From New
York to Jenin to Gujarat, the Islamophobia that has taken
over the world disturbs me immensely. As a filmmaker, I
thought it was about time we spoke up. Our film is based
on a true story of a mother's search for her son who did
not return home on that fateful day."
Alejandro
Inarritu - Mexico
"On Sept. 11, fiction was killed by reality. I remember
my hands shaking uncontrollably while I was watching for
the first time in my life, 3000 people dying live on TV.
We have already seen everything. I only hope I will be able
to express something of what I felt on that dark and horrible
day for humanity."
FROM THE READERS
As
a professional film critic, film director, and film teacher,
I do not feel 'Jornal da Mostra' is very arrogant. It is
passionate and opinionated. That is why I read it, learn
from it, like it, and ask my students to read it. Impartiality
does not exist in art, or in life. Adjectives are the only
way we communicate our true feelings and our humaness. It
does not matter whether or not I agree with you. If Brazilian
critics write as badly (wonderfully) as Leon Cakoff, then
I must learn Portuguese and read more Brazilian film critics!
Very modestly,
Ron Norman
Los Angeles/Taiwan