A
nova onda dos filmes em episódios prossegue com "Ten
Minutes Older/ Dez Minutos Mais Velho", uma produção
alemã da Road Movies de Wim Wenders em parceria com o seu
tradicional produtor Ulrich Felsberg. Instrumentos musicais irão
dar a diferença de cada um dos três longas previstos
no projeto. O primeiro da série é "Ten Minutes
Older - The Trumpet" e foi apresentado em sessões
concorridas no 55o Festival de Cannes na seleção
'Un Certain Regard'.
Sete diretores famosos assinam a coletânea "Trumpet":
Aki Kaurismäki ("Dogs Have no Hell"), Victor Erice
("Lifetime"), Werner Herzog ("Ten Thousand Years
Older"), Jim Jarmusch ("Int. Trailer. Night"),
Wim Wenders ("Twelve Miles to Trona"), Spike Lee ("We
Wuz Robbed") e Chen Kaige ("100 Flowers Hidden Deep").
O segundo da série já tem o compromisso de outros
seis renomados: Bernardo Bertolucci, Claire Denis, Mike Figgis,
Jiri Menzel, Michael Radford e Istvan Szabo.
Para os diretores este é um raro exercício de controle
de tempo. Ainda mais na atualidade do cinema em que são
raros os longas com menos de duas horas de duração.
Definido o limite dos dez minutos, e o tema sobre o tempo, Felsberg
assegura que a liberdade de expressão foi total para cada
um dos diretores.
Cada um no seu estilo, dois dos diretores de "Trumpet"
aproveitam melhor esta oportunidade - o americano Spike Lee e
o espanhol Victor Erice. Spike Lee faz de "We Wuz Robbed"
('Nois Fumu Robado') um libelo contra as últimas eleições
presidenciais nos Estados Unidos, levantando provas de que a diferença
no fuso horário entre o leste e o oeste do país
permitiu um complô da mídia televisiva que cantou
antes do tempo a vitória certa de Bush. Seu curta de depoimentos
polemiza também sobre a decisão da Suprema Corte
americana que votou pelo fim da recontagem dos votos sob suspeição.
Erice vai ao passado tenebroso do seu país, exatamente
para o dia 28 de junho de 1940, a sexta-feira em que as tropas
nazistas entraram na Espanha cruzando a fronteira da França.
Seus dez minutos criam um suspense asfixiante com a câmera
debruçada sobre um bebê recém-nascido que
sangra na incisão do cordão umbilical.
Uma função e uma oportunidade melhor aproveitada
por uns, desperdiçada por outros, mas fascinante para o
público que envelhece apenas dez minutos vendo curtas-metragens
de grife. Em seus exercícios de estilo vemos também
como questões filosóficas têm implicações
sobre a relatividade do tempo.