CRÍTICAS
À CRÍTICA PROVOCA NOVAS REAÇÕES
O
PAPEL DA CRÍTICA
Caro Leon, que 'doces' palavras suas acerca do papel da crítica
[Jornal
da Mostra nº 128].
Quanto me incomoda termos tão poucos críticos construtivos
na imprensa atual. Profissionais como Inácio Araújo,
que honram nosso quadro de profissionais cinematográficos,
ficam sufocados entre os 'oportunistas irados' como Conti e outros
'fofoqueiros da tela' que se auto-anunciam como críticos.
Isto que te mando não é só um desabafo e
um ato de solidariedade, mas quero informá-lo que estou
copiando seu texto para trabalhá-lo num projeto com
2100 professores da rede estadual de ensino que tem como objetivo
estimulá-los a usar filmes e vídeos em suas aulas.
Esse trabalho tem como conseqüência adicional
a formação de platéias, sobretudo e principalmente
para o cinema brasileiro, além de ser um espaço
de orientação para a emergência de vocações
para o audiovisual.
Seu texto vem a calhar para tudo que temos trabalhado em nosso
projeto Educom.TV, pois o professor, de certa forma, atua como
um crítico 'do bem' quando usa filmes e vídeos em
suas aulas.
Marília Franco
DISCORDO RADICALMENTE
Discordo radicalmente de quem acha que crítico não
merece avaliação. Não é a primeira
vez que Conti cria 'problemas' ao enveredar por uma praia (o Cinema)
que definitivamente, não é a dele. Foi assim com
'Barra 68', documentário de extremo bom gosto produzido
pelo veterano cineasta Vladimir Carvalho, que, ao ter seu filme
vilipendiado pelos frágeis argumentos 'contra' de Conti,
produziu uma resposta à altura de sua inteligência
e sensibilidade. Parabéns mais uma vez ao Jornal
da Mostra, pelo dinamismo com que toca numa questão
polêmica como a 'crítica dos críticos'.
Nathacha
Regazzini Bianchi Reis/ Rio de Janeiro
A
FUNÇÃO DE UM CRÍTICO NÃO É
ARRASAR
Gostaria de dar a minha modesta opinião em relação
à discussão que surgiu em torno do filme 'O Príncipe'
[foto]. Infelizmente ainda não vi este último
trabalho do Ugo Giorgetti e confesso que também não
li o que foi escrito por M. Conti. Defendo a idéia que
a função de um crítico não é
arrasar, em uma folha de papel, trabalho que levou meses ou até
anos para ser concluído. Um dia li um texto de um cineasta
francês, infelizmente não recordo o nome, que abolia
a palavra 'crítica' e defendia a 'análise', pois
ao seu modo de ver um crítico é aquele que traz
a simples sentença de que um filme é bom ou ruim.
Em uma análise o estudo da obra é mais completo
e detalhado. Um filme nunca é simplesmente aquilo que estamos
vendo na tela, é preciso ter em mente todo o (fantástico)
trabalho de captar e administrar os escassos recursos destinados
para o Cinema, fora o trabalho com atores, cenários, figurinos...
Cabe a quem faz o estudo de uma obra e tem o privilégio
de ver o seu trabalho divulgado em jornais, revistas, rádios
entre outros, a função de analisar o filme de modo
a enriquecer o debate em torno da obra e auxiliar o desenvolvimento
profissional de quem faz Cinema e não de provocar uma fuga
da bilheteria.
Anderson Cássio
Não
vi o filme O PRÍNCIPE de Ugo Giorgetti e não posso
emitir qualquer julgamento ou crítica, mas defendo o artigo
de Mário Sérgio Conti por princípio. Esta
discussão paira sempre sobre a consideração
de 'crítica construtiva' e 'crítica destrutiva'
que rechaço. Crítica não pode ser construtiva
ou destrutiva, crítica tem que ser crítica. Crítica
não pode ser didática, o que seria uma pretensão
descabida do crítico educar o autor de obra ou querer conduzi-lo
para uma realização mais acertada e coerente, nem
um documento oficial sobre a opinião do público;
crítica é um instrumento de verificação
de obras atuais ou atualização de obras antigas
e é sempre posicional e particular, o que se conclui que
crítica pode ser considerada 'boa' ou 'ruim' pelo leitor
comparando as impressões e a abordagem dos tópicos
desenvolvidos. Tal iniciativa de desconsiderar a crítica
do outro só pode ser vista pelo famoso protecionismo idealista
do cinema brasileiro, que não deveria ser visto jamais
como capaz de fazer filmes ruins pela importância do fator
cultural de divulgação a que ele pretende, que além
de ridículo é insensato: o fortalecimento de nossa
cultura passa pela aceitação de nossos defeitos
culturais e artísticos, como fazer um filme que - de repente
- seja ruim; e sequer poderia oficializar cada autor de obra como
um cânone cultural e artístico, o que só o
tempo define e mesmo assim sujeito a controvérsias: cânone
nesses moldes é o cinema por si só, um argumento
impessoal.
Em
outro artigo deste jornal sobre Gramado, enviei-o a uma das organizadoras
da Mostra de Super8 no Festival e ela detestou. Mantenho o princípio
de defender quem quer que seja do seu direito de criticar - dar
as suas impressões - e acho que só existe o argumento
destrutivo quando o desprezo pela opinião alheia e os interesses
pessoais falam mais alto, a ponto de querer anular a impressão
do outro. Em suma, não goste da crítica do Mário
Conti como a organizadora de Super8 não gostou da sua,
mas a crítica vai existir e é sempre válida,
boa ou ruim.
Arlindo
de Almeida Jr.
(27/08/2002)
Jornal da Mostra nº 134
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FROM
THE READERS
CRITIC
TO CRITIC PROVOKES NEW REACTIONS
THE CRITICS ROLE
Dear
Leon, what 'sweet' words regarding the critics
role [Jornal
da Mostra nº 128].
It greatly bothers me to have so few constructive
critics in todays press. Professionals like
Inácio Araújo, who honors our board
of cinema professionals, who becomes suffocated among
the 'enraged opportunists' such as Conti and other
'screen gossipers' who announce themselves as critics.
Not only am I opening my heart and sending you my
solidarity, but I also want to inform that I am copying
your text in order to use it in a project with 2100
teachers of public schools, aiming to stimulate them
to use films and videos in their classrooms. This
project has the additional consequence of forming
viewers, mainly and above all, for the Brazilian cinema,
apart from being a space to guide the audiovisual
vocational emergency.
Your text fits perfectly into everything weve
worked on our project Educom.TV, for the teacher,
in a certain way, acts as a critic of 'good' when
he/she uses films and videos in his/her classes.
Marília Franco
I RADICALLY DISAGREE
I
radically disagree with people who think that critics
dont deserve evaluations. Its not the
first time that Conti creates 'problems' by adventuring
himself into lands (Cinema) surely unknown to him.
It was the same with 'Barra 68', a documentary of
extreme good taste, produced by veteran filmmaker
Vladimir Carvalho, who, having had his film repelled
by Contis fragile arguments 'against it', produced
an answer proportional to his intelligence and sensitivity.
Congratulations again to 'Jornal da Mostra', for the
dynamism with which it touches a polemical matter
like the 'critic to critics'
Nathacha
Regazzini Bianchi Reis/ Rio de Janeiro
A
CRITICS FUNCTION IS NOT TO DESTROY
Id
like to express my modest opinion regarding the discussion
aroused by the film 'The Prince'. Unfortunately, I
havent seen Ugo Giorgettis last work yet
and I confess that I havent read what M. Conti
wrote either. I defend the idea that a critics
function is not to destroy, on a sheet of paper, a
work that took months or even years to be concluded.
Once I read a text written by a French filmmaker,
unfortunately I cant recall his name, who abolished
the word 'critic' and defended the word 'analysis',
for from his point of view, a critic is someone who
gives a verdict, if a film is good or bad. In an analysis,
the work is studied in a more complete and detailed
way. A film is never just what you see on screen,
one must have in mind all the (fantastic) work of
raising and administrating the scarce funds destined
to Cinema, as well as the actors work, the props,
the costumes
Its
up to the person who studies a film and has the privilege
to see its work released in newspapers, magazines,
radios and others, to analyze the film so as to enrich
the debate about it and help the professional development
of those who make Cinema, not to provoke a leak in
the box offices instead.
Anderson
Cássio
I havent seen the film 'The Prince' by Ugo Giorgetti,
therefore I cant express any judgment or critic,
but I defend Mário Sérgio Contis
article out of principle. This discussion always hovers
over the consideration of 'constructive critic' and
'destructive critic', which I refute.
A
critic cannot be constructive or destructive; a critic
must be a critic. A critic cannot be didactic, what
would be an improper pretension of the critic, to
educate the author of a work or attempt to guide him
towards a more rightful and coherent realization,
nor can it be an official document on the publics
opinion; a critic is an instrument to verify current
works or to update older works and its always
positional and particular, from what one can conclude
that a critic can be considered 'good' or 'bad' by
the reader, comparing impressions and approaches of
the topics considered.
Such
initiative to disconsider someones critic can
only be defended by the Brazilian Cinemas famous
and idealistic protectionism, a cinema that should
never been seen as capable of making bad films, considering
the importance of the cultural factor of divulgation
that it intends, which is ridiculous as well as insensible:
the strengthening of our culture involves accepting
our cultural and artistic shortcomings, like making
a film that - unexpectedly - could be bad; and not
even could it make of each author a cultural and artistic
canon, which is only defined by time and even so,
subject to controversies: canon in this sense is cinema
itself and only, an impersonal argument.
I
have sent another of this journals article,
about Gramado, to one of the organizers of the Super8
showcase in the Festival, and she hated it. I sustain
the principle of defending whoever it is on his/her
right to criticize - express his/her impressions -
and I think theres only destructive argument
when the despise for someones opinion and personal
interests speak louder, to the extension of annihilating
someones impression. In short, you might not
like Mário Contis critic just as the
Super8 organizer didnt like yours, still, the
critic will exist, and it is always valid, good or
bad.
Arlindo
de Almeida Jr.
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