Jornal da mostra nº 152


LAURA BETTI E 26ª MOSTRA APRESENTAM RETROSPECTIVA COMPLETA DE PIER PAOLO PASOLINI

A retrospectiva de Pier Paolo Pasolini (1922-1975) que a 26a Mostra apresenta foi possível graças ao apoio da atriz e diretora Laura Betti, presidente do Fondo Pier Paolo Pasolini, instituição dedicada à preservação e à divulgação do legado cultural do cineasta italiano.
Mais que atriz nos filmes de Pasolini e admiradora de sua produção, Laura Betti sempre foi uma amiga do cineasta. Trata-se de uma amiga como poucas, já que, ainda hoje, se dedica à memória do cineasta, morto há 27 anos.
Pasolini destacou-se ao criar narrativas de altíssimo teor intelectual, político e sexual. Essa combinação explosiva sempre foi indigesta para os meios políticos e para a maioria da população local, impregnada pelas terríveis práticas do fascismo.
Laura Betti sempre esteve a seu lado, atuando em filmes como Édipo Rei, Teorema, Os Contos de Canterbury, A Ricotta, A Terra Vista da Lua, O que São as Nuvens? e Saló ou Os 120 Dias de Sodoma, todos presentes na 26a Mostra, que exibe ainda o documentário Pier Paolo Pasolini e a Razão de um Sonho, com direção da própria Laura Betti.

Pier Paolo Pasolini nasceu em 5 de março de 1922, em Bolonha, filho de um militar de carreira fascista e de uma professora primária anti-Mussolini. Estudou literatura italiana, filologia e história da arte na Universidade de Bolonha. Em 1942, publicou seu primeiro livro: "Poesie a Casarsa". Em 1947, se inscreveu no Partido Comunista Italiano, mas foi expulso dois anos depois por suspeita de corrupção de menores. Dedicou-se à pintura, à poesia, à história da arte à militância política antes de se enveredar irremediavelmente pelo cinema.
Em 1953, fez sua estréia na carreira cinematográfica ao colaborar com o roteiro de La Donna del Fiume, dirigido por Mario Soldati. Escreveu vários outros roteiros, como Noites de Cabíria (1956), junto com Federico Fellini.
Estreou na direção em 1961, com Desajuste Social (Accatone). Pasolini continuou publicando livros de poesia, crítica literária, ensaios e narrativas, mas o cinema e a militância política já dominavam sua vida.
Trabalhou como ator, escreveu diversos roteiros e, principalmente, dirigiu nos anos seguintes alguns dos mais clássicos e polêmicos filmes da história do cinema italiano, como Mamma Roma (1962), O Evangelho Segundo São Mateus (1964), Gaviões e Passarinhos (1965/1966), Édipo Rei (1967), Teorema (1968), Pocilga (1968/1969), Decameron (1970/1971) e Saló ou Os 120 Dias de Sodoma (1975).
Pasolini morreu de maneira trágica na madrugada do dia 2 de novembro de 1975, brutalmente assassinado em uma emboscada na praia de Óstia, próxima a Roma. Sobre esse crime, a 19a Mostra exibiu Pasolini, Um Delito Italiano, de Marco Tullio Giordana.

Nossos agradecimentos especiais ao Ministeri per i Beni Culturali e Ambientali - Dipartimento dello Spettacolo Associazione "Fondo Pier Paolo Pasolini"
com o apoio da Cinecittà Holding.


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LAURA BETTI AND THE 26th MOSTRA PRESENT THE COMPLETE RETROSPECTIVE OF PIER PAOLO PASOLINI

The Pier Paolo Pasolini retrospective (1922-1975) at the 26th Mostra was possible owing to the support of actress and director Laura Betti, president of the Fondo Pier Paolo Pasolini, an institution dedicated to the conservation and divulging of Pasolini's cultural heritage. More than an actress in his films and an admirer of his work, Laura Betti was a personal friend to Pasolini – a friend as few might be – even today dedicated to his memory, 27 years after his death.
Pasolini was outstanding in that he created narrative of high intellectual, political, and sexual content. This explosive combination has always been indigestible to political media and to the majority of the local population, impregnated by the terrible practices in fascism.
Laura Betti always stood by him and acted in films such as Oedipus Rex, Theorem, The Canterbury Tales,
The Cream Cheese, The Earth Seen From the Moon, What are the Clouds? and Saló or the 120 Days of Sodom, all of these present at the 26th Mostra, also showing a documentary, Pier Paolo Pasolini and the Reason of a Dream, directed by Laura Betti herself.

Pier Paolo Pasolini was born on March 5, 1922, in Bologna, son of a military father with a fascist career. His mother was an elementary teacher who was anti-Mussolini. He studied Italian literature, philology, and history of art at the University of Bologna. In 1942, he published his first book: "Poesie a Casarsa". In 1947, he joined the Italian Communist Party, but was expelled two years later under the suspicion of corrupting youngsters. He devoted himself to painting, poetry, the history of art, and to political militancy before he found his way, irremediably, into cinema.
In 1953, he started on a career in films with a joint collaboration on the script for Woman of the River, directed by Mario Soldati. He wrote other scripts such as Nights of Cabiria (1956) with Federico Fellini.
He directed his first film in 1961, Accatone! Pasolini continued to publish books on poetry, literary criticism, essays and narrative; however, cinema and political militancy at this stage dominated his life.
He worked as an actor, wrote several scripts and, mainly, in the years to follow, directed some of the most classic and controversial films in the history of Italian cinema, such as Mamma Roma (1962), The Gospel According to St. Matthew (1964), Hawks and Sparrows (1965/1966), Oedipus Rex (1967), Theorem (1968), Pigsty (1968/1969), The Decameron (1970/1971) and Salo, or The 120 Days of Sodom (1975).
Pasolini was to die tragically in an ambush in the dawn of November 2, 1975, brutally assassinated in an ambush on the beach at Ostia, near to Rome. The 19th Mostra showed Pasolini, an Italian Crime, by Marco Tullio Giordana, relating to the crime.

Special thanks to Ministeri per i Beni Culturali e Ambientali - Dipartimento dello Spettacolo Associazione "Fondo Pier Paolo Pasolini"
with the support of Cinecittà Holding.

OS FILMES DA RETROSPECTIVA / THE TITLES OF THE RETROSPECTIVE

A Raiva (“La Rabia, Itália", 1963)
A Ricota (“La Ricotta ", 1963)
A Sequência da Flor de Papel (“La Sequenza del Fiore di Carta”, 1968)
A Terra Vista da Lua (“La Terra Vista Dalla Luna”, 1966)
Notas para um Filme sobre a Índia (“Appunti per un Film Sull’India”, 1968)
As Mil e Uma Noites (“Il Fiore Delle Mille e uma Notte”, 1973)
Comícios de Amor (“Comizi d’Amore”, 1963)
Decameron (“Il Decameron", 1970)
Desajuste Social (“Accatone, 1961)
Édipo Rei (“Edipo Re”, 1967)
Episódios Inéditos de as Mil e uma Noites (“Gli Episodi Inediti Di Il Fiore Delle Mille E Una Notte”, 1973)
Gaviões e Passarinhos (“Uccellacci e Uccellini”, 1965)
Locações na Palestina (“Sopraluoghi in Palestina”, 1964)
Mamma Roma (“Mamma Roma”, 1962)
Medéia (“Medea”, 1969)
Notas para um Filme sobre a Índia (“Appunti Per Un Film Sull’India”, 1968)
Notas para uma Oréstia Africana (“Appunti per Un’Orestiade Africana”, 1969)
O Evangelho Segundo São Mateus (“Il Vangelo Secondo Matteo”, 1964)
O que são as Nuvens? (“Che Cosa Sono Le Nuvole?”, 1967)
Os Contos de Canterbury (“I Racconti di Canterbury, 1971)
Os Muros de Sanaa (“Le Mura di Sanaa”, 1971)
Pocilga (Porcile, 1969)
Saló, os 120 Dias de Sodoma (“Saló o le 120 Giornate Di Sodoma, 1975)
Set de Sanaa (“Set di Sanaa”, 1971)
Teorema (“Teorema”, 1968)
Totó no Circo (“Totò al Circo”, 1966)


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