Jornal da mostra nº 151


“UM FILME É COMO UMA ÁRVORE. É SÓ PLANTAR E ESPERAR CRESCER.”

É difícil refletir sobre o que se pode esperar das conjunções da 26ª Mostra BR de Cinema – Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O panorama das inquietudes do mundo, o esforço anual pela diversidade e a livre circulação de idéias, os sonhos transferidos ao nosso inconsciente pela mão hábil de tantos pensadores do cinema têm seus efeitos projetados para a dimensão do incontrolável a partir do momento em que o festival é entregue ao seu público.

Perdemos uma paternidade ou uma maternidade que apenas gestamos no desejo de transferir e propagar na forma de um amplo painel de pensamentos, um mosaico formado por milhares de técnicos e artistas solidários neste universo multifacetado do cinema. O festival apenas protege este fermento e o que nele se semeia. O que germina é que não sabemos. O que sabemos é que provocamos um ciclo que se repete e se multiplica com novos pensamentos, novas idéias, novas inspirações e novos alentos.

Como diz um dos mais geniais cineastas contemporâneos, o russo Aleksandr Sokúrov, de quem apresentamos na 26ª Mostra o seu último e impressionante longa de um só plano-seqüência, Arca Russa, e mais uma retrospectiva de grande abrangência, “um filme é como uma árvore, é só plantar e esperar crescer.” Depois de 26 anos, a certeza que temos é que esta vocação jamais se perdeu. E que algumas florestas devem estar aí ao vento.

Renata de Almeida e Leon Cakoff



Leia mais no Jornal da Mostra >>      Read more at Jornal Mostra >>

“A FILM IS LIKE A TREE. JUST PLANT, AND WAIT FOR IT TO GROW”

It is difficult to reflect on what is to be expected from the combined 26th Mostra BR de Cinema – Mostra Internacional de Cinema em São Paulo: a panorama of disquiet in the world, a yearly effort towards diversity and free circulation of ideas, dreams transferred to our unconscious through the skillful hand of so many thinkers in film making – all effects projected to a dimension beyond control once the festival is the domain of the public.

We lose the fathering or mothering aspects that we just managed, in a desire to transfer and propagate through a broad panel of thought – a mosaic formed by thousands of technicians and solidary artists within this multifaceted universe of cinema. The film festival only safeguards this ferment and what is sown therein. We do not know what will germinate. All we know is that we have started a cycle that repeats and perpetuates itself with new thoughts, new ideas, new inspiration, and new fortitude.

In the words of one of the geniuses in contemporary filmmaking, Russian Aleksandr Sokurov, of whom we present in this 26th Mostra a last and impressive feature on a single plane-sequence, Russian Ark and, further, a retrospective of great scope, “A film is like a tree. Just plant, and wait for it to grow”. After 26 years, the certainty we do have is that this calling was never lost. And that there must be forests out there, blowing in the wind.

Renata de Almeida and Leon Cakoff


Leia mais no Jornal da Mostra >>      Read more at Jornal Mostra >>