" S.
O. S. CINEARTE "
COMO
SALVAR CINEMAS
Leon Cakoff, para o 'Jornal da
Mostra'
Eclode
em São Paulo um movimento para salvar grandes e tradicionais
cinemas que foram agonizando nas últimas décadas
por imperativos de uma discutível modernidade. Os chamados
cinemas tradicionais, de rua, verdadeiros templos de cinema, foram
atropelados por signos de modernidade como os shopping centers
ou pela especulação imobiliária. Os velhos
palácios de cinema, cheios de glamour, foram, aos poucos,
sendo ocupados por lojas, supermercados e, ultimamente, por bingos
e templos evangélicos. A devastação é
imensa por todo o mundo, ao mesmo tempo em que a indústria
do cinema registra, anualmente, um crescimento do número
de espectadores, agora em novos complexos de salas agrupadas em
grandes centros comerciais.
Indiferente a este fenômeno, o triste espetáculo
foi acompanhado sem reações. Até que a ameaça
de fechamento do CINEARTE, em pleno coração econômico
de São Paulo, na Avenida Paulista, esquina com a mitológica
Rua Augusta, dentro do movimentado Conjunto Nacional, começou
a mobilizar espectadores e o poder público. Primeiro com
um abaixo assinado que se organizou pelo público do próprio
Cinearte, desde as primeiras sessões de lançamento
do filme "Durval Discos", de Ana Muylaert. Em seguida,
impulsionado pela internet, com mais solidariedade, através
do sítio www.conjuntonacionalpaulista.com.br, do próprio
condomínio que sedia o cinema. Mais de três mil assinaturas
foram colhidas em uma semana.
Vilma
Peramezza (foto), dinâmica representante do Conjunto Nacional,
assumiu em seguida a campanha, promovendo um ato público
no dia 4 de abril, colocando uma imensa faixa com um pedido de
socorro na fachada do Conjunto Nacional (foto) e convocando autoridades
e personalidades culturais para a sua solidariedade. Vilma Peramezza
informou que "as questões para solução
da redução das taxas condominiais, que para o CineArte
são equivalentes por metro quadrado à dos restaurantes,
estão sendo carinhosamente tratadas pelo Corpo Diretivo
do Conjunto Nacional, que dentro de 10 dias estará apresentando
a melhor solução ao seu alcance. Falou também
em nome dos proprietários, que se dispõem a dialogar
para renovar o contrato de locação em condições
comerciais de viabilidade à continuação dos
cinemas."
Entre os políticos presentes, discursaram no ato, Marcos
Mendonça, ex-Secretário de Estado da Cultura e o
deputado Vicente Cândido. E a grande contribuição
chegou em seguida na forma de um telegrama, enviado pelo vereador
Nabil Bonduki, em que diz:
"Vilma,
manifesto minha total solidariedade ao movimento 'Salve os Cinemas'.
Estou estudando projeto de lei para incentivos aos cinemas de
rua e galerias, envolvendo parcerias entre o poder público
e a iniciativa privada."
Também
solidário, compareceu o arquiteto Roberto Loeb, que está
envolvido na recuperação do conjunto de salas Belas
Artes, próximo ao Cinearte, que igualmente está
ameaçado de extinção.
O
vereador Nabil Bonduki deu luz à campanha de salvamento
dos cinemas de rua e galerias que, no quadro desolador a que este
circuito ficou reduzido na capital de São Paulo, ainda
poderá servir para aliviar os altos custos de manutenção
dos seguintes cinemas: Cinearte, Espaço Unibanco de Cinema,
Belas Artes, Sala Uol de Cinema, Ipiranga, Marabá, Lilian
Lemmertz, Lumière, Cinesesc, Cal Center, Gemini, Top Cine.
Poderá servir ainda para estimular a reabertura de antigos
templos do cinema, tristemente fechados e ainda sem ocupação.
O vereador deverá propor uma lei que isente os cinemas
de rua e galeria do pagamento de impostos municipais como IPTU
e ISS. E o exemplo poderá ser seguido por muitas outras
cidades do planeta cinema.
Texto e edição: Leon Cakoff (jornaldamostra@mostra.org)
Tradução para o Inglês: Hugo Casarini e Célio
Faria (casarinilegendas@uol.com.br)
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" S.
O. S. CINEARTE "
HOW TO SAVE CINEMAS
By
Leon Cakoff, for 'Jornal da Mostra'
In
São Paulo, a movement emerges to save big and traditional
cinemas, which have been agonizing in the last decades by imperatives
of discussable modernity. The so called traditional street cinemas,
real temples of the cinema were run over by signs of modernity
such as shopping centers or state agencies speculation. The old
glamorous cinema palaces were bit by bit taken by stores, supermarkets
and lately by bingos and evangelic temples. The devastation is
immense all over the world, at the same time that the cinema industry
registers an audience increase nowadays in the new complexes of
screening rooms, built in big commercial centers.
Indifferent
to this phenomenon, the sorrowful performance was tracked without
any reaction. Till CINEARTE, in the financial heart of Sao Paulo
on Paulista Avenue on the corner of the mythological Augusta Street
inside the Conjunto Nacional, hangs on to life by a threat, mobilizing
spectators and the government. Firstly a petition was organized
by the audience of Cinearte since the first performances of the
film "Durval Discos", by Ana Mylaert. Then it was encouraged
by the internet, with more solidarity, on the site www.conjuntonacionalpaulista.com.br.
In one week, more than three thousand signatures were collected.
Vilma
Peramezza (picture), active representative for Conjunto Nacional,
has taken the lead position in this campaign, and promoted a public
act on April 4th, hanging up a huge strip with a cry for help
on the Conjunto Nacional's façade (picture). She's also
convoked authorities and cultural celebrities to share their solidarity.
Vilma Peramezza informed that "the questions about lessening
the condominium fees for Cinearte, which is charged now the same
as the restaurants in the building, have been studied carefully
by Conjunto Nacional Directive Board, and they will present the
best possible solution within 10 days. She has also spoken for
the owners, who are willing to keep a negotiation to renew the
rental contract in a way in which the commercial conditions of
the cinemas could be sustained".
Amongst
the present politicians, Marcos Mendonça, former Culture
State Secretary and Vicente Cândido, deputy, made a speech.
And a great contribution arrived just after, on a telegram sent
by town councilor Nabil Bonduki, saying:
"Vilma, I hereby express my total solidarity to the movement
'Save Our Cinemas'. I'm willing to purpose a new law to support
street cinemas, which will involve a partnership between the public
power and the private capital".
The architect Roberto Loeb has also shown his solidarity showing
up in person. He's also involved in the works to recover the Belas
Artes Cinema, nearby Cinearte, which is also threatened to disappear.
The city councilor Nabil Bonduki has strengthened the saving campaign
of street cinemas, and on this way, it will also be able to help
out the São Paulo's desolated group formed by the following
cinemas, reducing their high maintenance costs: Cinearte, Espaço
Unibanco de Cinema, Belas Artes, Sala Uol de Cinema, Ipiranga,
Marabá, Lilian Lemmertz, Lumière, Cinesesc, Cal
Center, Gemini, Top Cine. This attitude could also help to reopen
cinema temples that were sadly closed down and are not in use
for anything up to today. The city councilor shall present a law
freeing all the street cinemas from city taxes such as IPTU and
ISS. And this example can also be followed by many cities in the
cinema planet.
Text
and editing: Leon Cakoff (jornaldamostra@mostra.org)
Translation into English: Hugo Casarini and Célio Faria
(casarinilegendas@uol.com.br)
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