Jornal da Mostra nº 179

 

" S. O. S. CINEARTE "

COMO SALVAR CINEMAS
Leon Cakoff, para o 'Jornal da Mostra'

Eclode em São Paulo um movimento para salvar grandes e tradicionais cinemas que foram agonizando nas últimas décadas por imperativos de uma discutível modernidade. Os chamados cinemas tradicionais, de rua, verdadeiros templos de cinema, foram atropelados por signos de modernidade como os shopping centers ou pela especulação imobiliária. Os velhos palácios de cinema, cheios de glamour, foram, aos poucos, sendo ocupados por lojas, supermercados e, ultimamente, por bingos e templos evangélicos. A devastação é imensa por todo o mundo, ao mesmo tempo em que a indústria do cinema registra, anualmente, um crescimento do número de espectadores, agora em novos complexos de salas agrupadas em grandes centros comerciais.





Indiferente a este fenômeno, o triste espetáculo foi acompanhado sem reações. Até que a ameaça de fechamento do CINEARTE, em pleno coração econômico de São Paulo, na Avenida Paulista, esquina com a mitológica Rua Augusta, dentro do movimentado Conjunto Nacional, começou a mobilizar espectadores e o poder público. Primeiro com um abaixo assinado que se organizou pelo público do próprio Cinearte, desde as primeiras sessões de lançamento do filme "Durval Discos", de Ana Muylaert. Em seguida, impulsionado pela internet, com mais solidariedade, através do sítio www.conjuntonacionalpaulista.com.br, do próprio condomínio que sedia o cinema. Mais de três mil assinaturas foram colhidas em uma semana.

Vilma Peramezza (foto), dinâmica representante do Conjunto Nacional, assumiu em seguida a campanha, promovendo um ato público no dia 4 de abril, colocando uma imensa faixa com um pedido de socorro na fachada do Conjunto Nacional (foto) e convocando autoridades e personalidades culturais para a sua solidariedade. Vilma Peramezza informou que "as questões para solução da redução das taxas condominiais, que para o CineArte são equivalentes por metro quadrado à dos restaurantes, estão sendo carinhosamente tratadas pelo Corpo Diretivo do Conjunto Nacional, que dentro de 10 dias estará apresentando a melhor solução ao seu alcance. Falou também em nome dos proprietários, que se dispõem a dialogar para renovar o contrato de locação em condições comerciais de viabilidade à continuação dos cinemas."


Entre os políticos presentes, discursaram no ato, Marcos Mendonça, ex-Secretário de Estado da Cultura e o deputado Vicente Cândido. E a grande contribuição chegou em seguida na forma de um telegrama, enviado pelo vereador Nabil Bonduki, em que diz:

"Vilma, manifesto minha total solidariedade ao movimento 'Salve os Cinemas'. Estou estudando projeto de lei para incentivos aos cinemas de rua e galerias, envolvendo parcerias entre o poder público e a iniciativa privada."

Também solidário, compareceu o arquiteto Roberto Loeb, que está envolvido na recuperação do conjunto de salas Belas Artes, próximo ao Cinearte, que igualmente está ameaçado de extinção.

O vereador Nabil Bonduki deu luz à campanha de salvamento dos cinemas de rua e galerias que, no quadro desolador a que este circuito ficou reduzido na capital de São Paulo, ainda poderá servir para aliviar os altos custos de manutenção dos seguintes cinemas: Cinearte, Espaço Unibanco de Cinema, Belas Artes, Sala Uol de Cinema, Ipiranga, Marabá, Lilian Lemmertz, Lumière, Cinesesc, Cal Center, Gemini, Top Cine. Poderá servir ainda para estimular a reabertura de antigos templos do cinema, tristemente fechados e ainda sem ocupação. O vereador deverá propor uma lei que isente os cinemas de rua e galeria do pagamento de impostos municipais como IPTU e ISS. E o exemplo poderá ser seguido por muitas outras cidades do planeta cinema.



Texto e edição: Leon Cakoff (jornaldamostra@mostra.org)
Tradução para o Inglês: Hugo Casarini e Célio Faria (casarinilegendas@uol.com.br)



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" S. O. S. CINEARTE "

HOW TO SAVE CINEMAS
By Leon Cakoff, for 'Jornal da Mostra'

In São Paulo, a movement emerges to save big and traditional cinemas, which have been agonizing in the last decades by imperatives of discussable modernity. The so called traditional street cinemas, real temples of the cinema were run over by signs of modernity such as shopping centers or state agencies speculation. The old glamorous cinema palaces were bit by bit taken by stores, supermarkets and lately by bingos and evangelic temples. The devastation is immense all over the world, at the same time that the cinema industry registers an audience increase nowadays in the new complexes of screening rooms, built in big commercial centers.

Indifferent to this phenomenon, the sorrowful performance was tracked without any reaction. Till CINEARTE, in the financial heart of Sao Paulo on Paulista Avenue on the corner of the mythological Augusta Street inside the Conjunto Nacional, hangs on to life by a threat, mobilizing spectators and the government. Firstly a petition was organized by the audience of Cinearte since the first performances of the film "Durval Discos", by Ana Mylaert. Then it was encouraged by the internet, with more solidarity, on the site www.conjuntonacionalpaulista.com.br. In one week, more than three thousand signatures were collected.

Vilma Peramezza (picture), active representative for Conjunto Nacional, has taken the lead position in this campaign, and promoted a public act on April 4th, hanging up a huge strip with a cry for help on the Conjunto Nacional's façade (picture). She's also convoked authorities and cultural celebrities to share their solidarity. Vilma Peramezza informed that "the questions about lessening the condominium fees for Cinearte, which is charged now the same as the restaurants in the building, have been studied carefully by Conjunto Nacional Directive Board, and they will present the best possible solution within 10 days. She has also spoken for the owners, who are willing to keep a negotiation to renew the rental contract in a way in which the commercial conditions of the cinemas could be sustained".

Amongst the present politicians, Marcos Mendonça, former Culture State Secretary and Vicente Cândido, deputy, made a speech. And a great contribution arrived just after, on a telegram sent by town councilor Nabil Bonduki, saying:
"Vilma, I hereby express my total solidarity to the movement 'Save Our Cinemas'. I'm willing to purpose a new law to support street cinemas, which will involve a partnership between the public power and the private capital".
The architect Roberto Loeb has also shown his solidarity showing up in person. He's also involved in the works to recover the Belas Artes Cinema, nearby Cinearte, which is also threatened to disappear.
The city councilor Nabil Bonduki has strengthened the saving campaign of street cinemas, and on this way, it will also be able to help out the São Paulo's desolated group formed by the following cinemas, reducing their high maintenance costs: Cinearte, Espaço Unibanco de Cinema, Belas Artes, Sala Uol de Cinema, Ipiranga, Marabá, Lilian Lemmertz, Lumière, Cinesesc, Cal Center, Gemini, Top Cine. This attitude could also help to reopen cinema temples that were sadly closed down and are not in use for anything up to today. The city councilor shall present a law freeing all the street cinemas from city taxes such as IPTU and ISS. And this example can also be followed by many cities in the cinema planet.

Text and editing: Leon Cakoff (jornaldamostra@mostra.org)
Translation into English: Hugo Casarini and Célio Faria (casarinilegendas@uol.com.br)


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