Jornal da Mostra nº 54


"FOTÓGRAFO DE GUERRA" PODE DAR OSCAR A PRODUÇÃO SUÍÇA


"A cada minuto eu estava lá, mas eu queria partir.
Não queria ver isso.
Deveria parar e correr ou deveria dialogar com
a responsabilidade de estar lá com a câmera?"

(James Nachtwey)

Em um dos inúmeros pontos de crise no mundo, envoltos por sofrimentos e guerra, violência e caos, lá está o fotógrafo americano James Nachtwey (foto abaixo à esquerda), sempre buscando uma foto que lhe pareça publicável. Este é o filme sobre um homem tímido e empenhado, considerado o mais corajoso e importante fotógrafo de guerra do nosso tempo, que poderá dar ao cineasta suíço Christian Frei um Oscar de melhor documentário em 2002. A concorrência é boa considerando que também é finalista ao prêmio a ser divulgado no próximo dia 24 de março, "Promessas de um Novo Mundo", exibido na 25ª Mostra BR de Cinema - Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

O filme "Fotógrafo de Guerra/ War Photographer", foto abaixo à direita, persegue o cotidiano e a rotina de James Nachtwey, inteiramente contrário às imagens e clichêsestabelecidos pelo cinema de Hollywood que passa aos espectadores uma idéia cínica e sem sentimentos destes importantes personagens da história real. "O que um personagem de ficção pode pensar sobre o tempo certo de uma exposição fotográfica na hora de registrar um fato em meio a um intenso terror de combate?", desafia Christian Frei.

Vemos que o seu personagem, por muitos considerado como o mais corajoso fotógrafo de todos os tempos, é um homem que, além de tímido, gosta de mergulhar em pensamentos filosóficos. Com certeza, diz o diretor que já participou da 21ª Mostra com o ótimo documentário sobre cubanos refugiados "Ricardo, Miriam e Fidel", e acompanhou James Nachtwey por dois anos através dos conflitos na Palestina, Indonésia e Cossovo, ele é o mais ocupado dos fotógrafos profissionais do mundo.

O filme é resultado de uma hábil documentação com micro-câmeras coladas à câmera fotográfica de Nachtwey. Acompanhamos com o filme o olhar do próprio fotógrafo em busca do momento certo de registrar a foto. Ouvimos cada respiração do fotógrafo e suas alterações sobre cenas dramáticas e dolorosas. Para muitos o filme é uma lição imperdível de foto-jornalismo.

 


(15/03/2002) Jornal da Mostra nº 54

Leon Cakoff, para o Jornal da Mostra


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SWISS PRODUCTION "WAR PHOTOGRAPHER" CAN GET OSCAR

"Every minute I was there, I wanted to flee.
I did not want to see this.
Would I cut and run, or would I deal with
the responsibility of being there with a camera?"
(James Nachtwey)

In one of the world's countless crisis areas, surrounded by suffering, death, violence and chaos, photographer James Nachtwey searches for the picture he thinks he can publish. A film about a committed, shy man, who is considered one of the bravest and most important war photographers of our time, and which can grant the Swiss filmmaker Christian Frei a best documentary Oscar in 2002. It is a hard competition, considering that one of the other nominees to the award that will be announced next Saturday, is 'Promises', which was shown at the 25th São Paulo International Film Festival.

The film "War Photographer" follows James Nachtwey's quotidian and routine, totally different from the images and clichés established by Hollywood, which give the viewers a cynical and feeling-absent idea of these important real life characters. "What can a fiction character think about the right exposure rate at the moment of registering a fact in the middle of intense combat terror?", challenges Christian Frei.

We see that his character, considered by many as the bravest photographer of all times, is a man who, besides being shy, likes to dive into philosophical thoughts. "For sure", says the director, who has already taken part in the 21st São Paulo IFF with the excellent documentary about Cuban refugees "Ricardo, Miriam e Fidel", and who followed James Nachtwey for two years through the conflicts in Palestine, Indonesia e Kosovo, "he is the busiest professional photographer in the world".

The film is a result of a skilled documentation with micro-cameras stuck on Nachtwey's photo-camera. We see the photographer himself looking for the decisive moment. We hear every breath of the photographer and his changes at every dramatic and painful scene. For many, the film is a photojournalism lesson not to be missed.

Leon Cakoff, for 'Jornal da Mostra'


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