Jornal da Mostra nº 83


CANNES 2002
FESTIVAL RESOLVE NA PRAIA PROBLEMA DOS SEM-CINEMA


O Festival de Cannes sempre se confrontou com uma questão constrangedora - as multidões de fanáticos por cinema que se aglomeravam diante do palácio dos festivais para ver (ou tentar ver) as celebridades subindo as escadarias antes do início das sessões oficiais. O palácio dos festivais é espaçoso e confortável para quem está credenciado ou tem ingressos para as sessões. Para os cinéfilos sem carteirinha a coisa era bastante constrangedora. O massacre na estreita rua de duas mãos em frente ao palácio, a Croisette, mais os bloqueios policiais para o trânsito exclusivo dos carros oficiais, parecia um problema insolúvel. O congestionamento humano complicava em certos horários até a locomoção de pedestres.

A partir deste ano o Festival de Cannes parece ter encontrado a solução para as legiões de sem-cinema, devendo inaugurar nesta sua 55a edição um mega projeto ao ar livre, com projeções diárias na praia Macé, ao lado das salas oficiais de exibições. O projeto 'Salle des Sables', sala de areia, será inovador por instalar a grande tela de projeção fundada no mar da própria baia de Cannes.

A programação da Salle des Sables do primeiro fim-de-semana servirá para homenagear ao ator e cineasta Jacques Tati. Serão projetados assim seus filmes "Carrossel da Esperança/ Jour de Fête", "As Férias de Monsieur Hulot/ Les Vacances de Monsieur Hulot" e "Meu Tio/ Mon Oncle". A praia terá decoração especial com simulações de cabines antigas de banho e outras inspirações dos cenários dos filmes de Tati. Só que um outro filme de Tati - "Playtime", restaurado em sua bitola original de 70 mm. só poderá ser visto no Palácio dos Festivais.

O segundo final de semana será reservado para uma programação a cargo do Instituto Lumière com uma seleção de curtas-metragens em competição e uma homenagem a Billy Wilder. Assim é que a organização do Festival de Cannes resolve um problema de frustração de legiões de cinéfilos que se aventuravam pelos ambientes do festival de cinema, vindo de todas as partes do mundo, e voltavam para casa sem ter visto sequer um filme da sua intensa programação.


DOS LEITORES

Sobre o cinema e a realidade, gostaria de lembrar um ótimo filme, que foi apresentado numa Mostra há alguns anos, chamado "Sozinho contra Todos" (de Gaspar Noé, 22ª Mostra) que é perfeito para se entender o fenômeno Le Pen. Realmente profético ! Gostaria muito de (re)vê-lo em circuito.

Ana Maria de Almeida

 

(29/04/2002) Jornal da Mostra nº 83

Leon Cakoff, para o Jornal da Mostra


CANNES 2002
FESTIVAL SOLVES MOVIE-LESS PROBLEM ON THE BEACH

Cannes Festival has always confronted an embarrassing question - the crowds of cinema fans that mobbed in front of the festivals palace to see (or try to see) celebrities going upstairs before the beginning of the official sessions. The festivals palace is comfortable for the ones who are accredited or have tickets for the sessions. For unofficial movie fans the situation was quite embarrassing. The massacre on the narrow two-way street in front of the palace, Croisette, plus the police blocks for the exclusive official cars traffic, seemed to be an unsolvable problem. The crowd would sometimes make even walking complicated.

This year Cannes seems to have found a solution for the movie-less legions, and will inaugurate at this 55th edition a mega outdoor project, with daily projections on Macé beach, just by the movie theaters. The project 'Salle des Sables', sand room, will innovate by installing the big screen founded on the sea of Cannes bay.

The Salle des Sables program on the first weekend will homage the actor and filmmaker Jacques Tati. Thus, his films "Jour de Fête", "Les Vacances de Monsieur Hulot" and "Mon Oncle" will be shown. The beach will be specially decorated, simulating old bathing cabins and other items inspirited by Tati's films. Another film by Tati - "Playtime", restored in its original 70 mm format will only be seen in the Festivals Palace.

The second weekend will be reserved for a program by Lumière Institute, showing a selection of short films in competition and presenting homage to Billy Wilder. This is how the organization solves a problem of frustration of a legion of movie fans that used to adventure in the festival, coming from all over the world, and going back home without seeing a single film of the intense program.


FROM THE READERS

About cinema and reality, I would like to remind of an excellent film, that was shown at São Paulo IFF a few years ago, "Seul contre tous" (by Gaspar Noé, 22th São Paulo IFF), which is perfect for understanding the Le Pen phenomenon. Really profetic! I would very much like to see it (again).

Ana Maria de Almeida

 

Leon Cakoff, for 'Jornal da Mostra'

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